quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ação pretende proteger aves migratórias do Pantanal.
por Redação do EcoD
Talha-mar (Rynchops niger). Foto: Haroldo Palo Jr/Fundação Boticário.

As aves migratórias necessitam extremamente das planícies alagadas do Pantanal e de seu ciclo de cheias e secas, tanto para local de descanso como para reprodução, visto que a região oferece alimento em abundância. Porém, segundo pesquisa realizada pelo ornitólogo Alessandro Pacheco Nunes, cerca de 25% das espécies de aves que ocorrem no Pantanal estão ameaçadas de extinção em outras regiões do Brasil, sendo que 70% delas estão seriamente em perigo em São Paulo. Um exemplo dessa situação é o tuiuiú (Jabiru mycteria), ave símbolo do Pantanal que ainda possui populações viáveis na região, embora já tenha ocorrência reduzida em outras partes do país.

Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre essa realidade e sensibilizar a população sobre a importância dessas aves, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza realizou, com o apoio do especialista, uma exposição interativa sobre o assunto.

Desde outubro, os moradores e visitantes de Corumbá (MS), cidade pantaneira na divisa com a Bolívia, poderão participar de uma exposição temática e conhecer mais sobre o príncipe (Pyrocephalus rubinus), o colhereiro (Platalea ajaja), a águia-pescadora (Pandion haliaetus), a marreca-caneleira (Dendrocygna bicolor) e o talha-mar (Rynchops niger), além do tuiuiú. A exposição estará disponível até o final de novembro na Estação Natureza Pantanal, espaço cultural dedicado à natureza pantaneira e mantido pela Fundação Grupo Boticário em Corumbá.

Conhecer para conservar

A exposição sobre as aves migratórias contará com cubos interativos, que se acendem com o toque do visitante, iluminando uma imagem da ave retratada, além de emitir seu canto. Cada um dos cubos apresenta informações como características físicas, biologia, área de ocorrência, hábitos e curiosidades de cada espécie.

Além disso, foi projetado um grande mapa com as rotas das espécies por toda a América. Ao clicar em botões, será possível visualizar as regiões e a época do ano que aave escolhida se reproduz, nidifica e descansa. Algumas aves chegam a viajar oito mil quilômetros em oito dias.

“Pretendemos que as pessoas compreendam melhor a importância do Pantanal num contexto mais amplo de conservação das aves migratórias. Muitas vezes, a população local e até mesmo os visitantes frequentes se acostumam a vê-las, mas desconhecem o caminho que tiveram que percorrer para chegar ao Pantanal ou mesmo a importância que têm no equilíbrio ecológico”, explica o administrador da Estação Natureza Pantanal, Gustavo Malheiros.

Segundo ele, é preciso conscientizar a população e o poder público sobre a importância de proteger essas espécies. “Ações de educação ambiental para que a comunidade se aproxime da natureza são ótimas ferramentas. O conhecimento sobre a realidade de conservação do Pantanal e das espécies que nele ocorrem pode contribuir para que a população cobre melhores políticas públicas relacionadas ao bioma, como a criação de mais unidades de conservação ou maior incentivo a pesquisas”, ressalta Malheiros.

Aves migratórias

Para o pesquisador Alessandro Nunes, que é doutorando pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), é importante conservar essas espécies. “As aves migratórias fazem uma troca muito grande de nutrientes entre os hemisférios norte e sul. Além disso, elas se relacionam com diversas espécies, alimentando-se de algumas e servindo de alimento para outras, participando intensamente do equilíbrio da biodiversidade”, comenta.

De acordo com ele, as aves também atuam como reguladores de insetos e invertebrados. “Se mexermos com esse equilíbrio, não saberemos a consequência que isso pode gerar, por isso é tão importante que as pessoas saibam da importância desses animais para ajudar em sua conservação”, conclui.

Exposição permanente
Além da exposição especial sobre as aves migratórias, a Estação Natureza Pantanal oferece uma mostra permanente sobre a natureza pantaneira. Localizada em Corumbá (MS) – a 400 quilômetros da capital Campo Grande – ela ocupa um prédio histórico datado de 1908, às margens do emblemático Rio Paraguai. O espaço representa uma verdadeira imersão no bioma pantaneiro, reunindo mais de duas dezenas de elementos interativos com explicações e fotos de espécies-bandeiras do bioma – como a onça-pintada, o tuiuiú e o jacaré-do-pantanal – e de seus habitats.

Também é possível ouvir registros de canto e vocalização de aves típicas do Pantanal, além de conferir uma maquete que explica o ciclo das águas pantaneiras, entre outras atrações.

Serviço

Endereço: Ladeira José Bonifácio, 111 – Porto Geral – Corumbá (MS).
Telefone: (67) 3231-9100
Horário de funcionamento:
De terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h.
Sábados, das 14h às 18h.

Ingressos
Inteiro: R$ 3
Estudantes: R$ 1,50
Moradores de Corumbá e Ladário: R$ 1
Isentos: Maiores de 60 e menores de seis anos / grupos de instituições públicas agendados com antecedência.

Fonte: EcoD

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