terça-feira, 18 de novembro de 2014

ISA lança mapa Amazônia Brasileira 2014 no Congresso Mundial de Parques.
por Silvia de Melo Futada, do ISA
Foi nessa quinta-feira, 13/11, em Sydney, na Austrália, durante evento promovido pela IUCN (International Union for the Protection of Nature).

Lançado na tarde do dia 13/11, o Mapa Amazônia Brasileira 2014, editado desde 2004,é uma reedição atualizada de um estudo sistemático que o Programa Monitoramento de Áreas Protegidas do Instituto Socioambiental executa historicamente há mais de 20 anos.

Atualmente a Amazônia Brasileira conta com 315 Unidades de Conservação federais e estaduais e as 420 Terras Indígenas (reconhecidas, homologadas ou em processo de reconhecimento), resultado da constante luta pelos direitos dos povos, pela justiça socioambiental e pela conservação da biodiversidade, que somam 204.416.393 hectares, ou seja, aproximadamente 40% da Amazônia Legal Brasileira.

Esses territórios garantem o direito à reprodução cultural e modos de vida de mais de 173 diferentes povos indígenas e diversas comunidades tradicionais, contribuindo na conservação da biodiversidade e dos processos ecossistêmicos, na manutenção das condições climáticas em micro e macro escala e na salvaguarda dos cursos d’água, muitos dos quais abastecem a maioria da população brasileira que habita os grandes centros urbanos.

A Amazônia Legal Brasileira possui uma extensão de mais de 500 milhões de hectares e engloba todo o bioma Amazônico, 37% do bioma Cerrado e 40% do bioma Pantanal, representando aproximadamente 60% do território brasileiro e, segundo o Censo 2010, quase 25 milhões de habitantes, dentre os quais mais de 433 mil indígenas e diversas comunidades extrativistas tradicionais, dentre elas seringueiros, castanheiros, pescadores artesanais e quebradeiras de coco de babaçu.

As Terras Indígenas (TI) e as Unidades de Conservação (UC) na Amazônia Brasileira enfrentam muitos desafios: a expansão da fronteira agropecuária, a mineração, a exploração de madeira ilegais e as grandes obras de infraestrutura nos projetos de governo, como estradas e hidrelétricas.

Desmatamento na Amazônia

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/Prodes 2014) analisados em relação aos limites das UCs e TIs produzidos pelo ISA, 148.345.913 hectares dessas unidades correspondem originalmente a formações florestais, o que corresponde a 72,5% da extensão total das 270 UCs (não foram consideradas as 46 UCs da categoria APA) e 420 TIs na Amazônia Brasileira (a metodologia monitora apenas as formações florestais excluindo-se as formações não florestais, corpos d’água e áreas não mapeadas por estarem cobertas por nuvens).

Enquanto as TIs e UCs apresentam desmatamento florestal acumulado de 2% em seus limites, o que representa 3,9% do total observado na Amazônia Brasileira, o restante, do desmatamento (96,1%), ocorreu em propriedades particulares e terras públicas fora das UCs e Tis. Isso as coloca como ponto fundamental na estratégia de contenção do desmatamento na Amazônia e na viabilização de um modelo de desenvolvimento regional justo, que contemple os diferentes modos de vida e apropriação do território, como alternativa ao modelo predatório desenvolvimentista.

Veja aqui a versão em português e em inglês do mapa.

Com mais de 5 mil inscritos e 160 países representados, o evento internacional que vai de 12 a 19 de novembro, teve como destaque os povos do Pacífico, que chegaram de canoa à Baía de Sydney, no dia da abertura, após viagem de quatro semanas. Saiba mais sobre o Congresso Mundial de Parques 2014: http://worldparkscongress.org/

Para saber mais sobre Unidades de Conservação e Terras Indígenas na Amazônia Brasileira consulte os sites especializados do ISA: http://uc.socioambiental.org, http://ti.socioambiental.org e http://pib.socioambiental.org.


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